TONI RODRIGUES FALA AOS ALUNOS DO DOM BARRETO
Imprensa brasileira, e piauiense, tem um histórico de
vassalagem diante do poder de plantão
Recentemente tive a oportunidade de falar aos alunos da
Escola Dom Barreto sobre a história da imprensa brasileira e piauiense. O que
se constata é que desde o princípio sempre se verificou uma certa vassalagem ao
poder de plantão. O primeiro jornal “A Gazeta do Rio de Janeiro” em 1808 foi
criada com a finalidade exclusiva de fazer adulação à família real portuguesa
que havia chegado ao país.
Desde então o que se verifica é que servir aos governos
parece uma palavra de ordem. Enquanto isso, a oposição deve ser ignorada,
silenciada ou massacrada. Por outro lado, se a oposição chegar ao poder, então
deve-se imediatamente virar o disco. Os outrora governantes devem ser tratados
com total omissão: negligenciados completamente. Os antigos oposicionistas e
agora governantes é que devem ser bajulados.
É uma regra vigente desde sempre. Quem ganha com isso? O povo,
certamente, é que não é, porque não se tem informação de verdade. Se bem que a
verdade para estes que trabalham com a dispersão dos fatos é apenas uma nuance.
Mas, para os jornalistas que buscam a proximidade dos acontecimentos
verdadeiros, deve ser uma constante.
Falei sobre a evolução da imprensa piauiense, desde suas
primeiras publicações até os mais aguerridos propagadores. Os primeiros jornais
a circularem na província tinham cunho eminentemente político, daí porque os
jornais até hoje se conservarem com as mesmas características. Os escribas de
antigamente eram presidentes de partidos e todos, absolutamente todos, para se
comunicar com a população, montavam os seus próprios órgãos de imprensa. Os primeiros
jornais, portanto, representavam partidos e políticos.
David Caldas, o Profeta da República, foi um dos mais
famosos do seu tempo. No século XIX ele conseguiu se eleger deputado provincial
através do discurso bem elaborado disseminado pelos jornais impressos. Como
projeto, a substituição das casas de palha por habitações de telha. Foi o mais
votado. A elite, que pretendia manter o povo em condições miseráveis, portanto,
dependente, conspirou contra ele e o derrotou no pleito seguinte.
(Toni Rodrigues)
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